Não a nós, Senhor

Você creu de todo o coração?
21 de setembro de 2017

O apóstolo Paulo, na epístola aos Romanos, louva a Deus no capítulo 11 e afirma que “dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (11.36).

Dessa premissa, surge um dos lemas da Reforma Protestante: “Soli Deo Gloria”, ou, glórias somente a Deus. A despeito disso os homens, não poucas vezes, querem a glória para si mesmos. Não sabem (ou esquecem-se) que sem ele não podemos efetuar nada. Ele efetua em nós o querer e o realizar conforme a sua boa vontade (cf. Fp 2.13), é o que a Bíblia nos ensina.

É muito bom, ao completar 23 anos como igreja organizada, poder relembrar essa verdade. Devemos agradecer a Deus o que ele realizou e tem realizado ao longo desses anos por meio de cada um que por aqui passou e daqueles que ainda fazem parte da IPBPC.

O Salmo 115 nos faz pensar em verdades preciosas que devem estar em nossa mente a cada aniversário de nossa igreja. São elas:

 

  1. O homem não merece a glória – “Não a nós, Senhor, não a nós” (v. 1) – O salmista entende muito bem que não é ele quem tem de ser glorificado. Cada um que fez e faz parte desta igreja tem sido instrumento de Deus, mas a glória não é de nenhum de nós. Devemos entender essa verdade e aplicá-la em nossas vidas. Deus se utiliza de nós, nos concede o privilégio de trabalhar para a expansão do reino, mas não divide a sua glória com ninguém. Que, à semelhança do salmista, reconheçamos isso e, por mais que sejamos usados por Deus, gritemos à uma: “Não a nós, Senhor.”

 

Deus deve ser glorificado – “mas ao teu nome dá glória” (v. 1) – Como já foi mencionado, todas as coisas são para o louvor da glória de Deus. Ele nos criou para sua glória, nos

chamou para a sua glória, nos usa para a sua glória, tem nos sustentado para a sua própria glória. O Salmista se apressa em direcionar a glória a quem de direito e o faz citando algumas razões:

  1. a) – Deus deve ser glorificado por causa de sua misericórdia – “por amor de tua misericórdia” (v. 1) – A Bíblia ensina que as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque não têm fim, renovando-se a cada manhã (cf Lm 3.22,23). As misericórdias do Senhor têm se renovado sobre nós. Devemos nos lembrar sempre de que o que merecemos da parte de Deus é a sua ira, mas ele, em Cristo Jesus, tem exercido misericórdia sobre aqueles que crêem.

 

  1. b) – Deus deve ser glorificado por cauda da sua fidelidade – “e da tua fidelidade” (v. 1) – Deus é fiel em todas as suas promessas. Ele nunca negará aquilo que disse e sempre cumprirá o que decretou. A maior expressão da fidelidade de Deus é a cruz do Calvário. Na cruz o Senhor se manteve fiel à promessa dada a Adão e Eva quando eles pecaram. Quando eles quebraram a Aliança, o Senhor prometeu que o descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente e foi isso que Jesus fez na cruz do Calvário. Venceu de uma vez por todas a morte e trouxe vida eterna a todo aquele que nele crê.

 

  1. c) – Deus deve ser glorificado porque faz tudo como lhe apraz – “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” – Esta é a resposta do salmista à pergunta das nações: “Onde está o Deus deles?” (v. 3). Por mais que as nações não acreditassem, o salmista tinha plena convicção de que o Senhor reina e, como soberano, realiza todas as coisas, como bem quer. Deus é o Soberano Senhor do Universo. Ele não precisa pedir conselhos a ninguém e, mesmo que as pessoas não creiam, continua reinando soberano e dirigindo nossas vidas. Deus deve ser glorificado porque nada acontece fora da sua vontade, nada foge aos seus planos.

 

O salmista encerra o Salmo 115 reafirmando que bendiria ao Senhor com o povo: “Nós, porém, bendiremos o Senhor, desde agora e para sempre. Aleluia!” (v. 18).

À semelhança do salmista, devemos estar alicerçados nessas convicções. Certamente experimentamos, nestes 23 anos, a misericórdia e a fidelidade do Senhor e, certamente, o Senhor tem feito em nossa igreja aquilo que lhe apraz. Louvemos, portanto, a ele e tributemos toda a glória ao Senhor da IPBPC. Que ele nos conceda a graça de permanecer fiéis, testemunhando de Cristo onde ele nos plantou.

Pr. Milton Jr.

Milton C. J. Junior
Milton C. J. Junior
Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano "Rev. José Manoel da Conceição" e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em aconselhamento bíblico pelo Seminário Palavra da Vida. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil desde 2002, servindo à Igreja Presbiteriana da Praia do Canto desde 2007.

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