A doutrina é mesmo importante?

A Palavra de Deus e a salvação
10 de agosto de 2018

Há no evangelicalismo brasileiro um grande número de crentes que não querem saber de doutrina. Em contrapartida, a teologia reformada sempre deu importância à doutrina, porém, não como um fim em si mesmo, mas tendo como imperativo que o conhecimento doutrinário seja evidenciado por ações práticas.

Muitos daqueles que são avessos à doutrina muitas vezes o são porque não fazem, ou não aprenderam a fazer a conexão da doutrina com a prática. Aqueles, porém, que desdenham e nem sequer suportam ouvir a palavra “doutrina”, deveriam olhar para as Escrituras e perceber que quando Jesus falava as multidões se maravilhavam da sua doutrina (Mt 7.28; 22.33).

Em sua epístola Tiago exorta os crentes a praticar a Palavra em vez de serem apenas ouvintes. Ele fala em “considerar atentamente” e ser “operoso praticante”. O resultado de conhecer a Palavra (doutrina) e praticá-la, diz Tiago, é que a pessoa será bem-aventurada no que realizar (Tg 1.22-25).

A prática da Palavra, além de honrar a Deus, acaba também por nos beneficiar. No Antigo Testamento, quando o Senhor ordenou a Israel que guardasse seus estatutos e mandamentos, enfatizou: “para que te vá bem” (Dt 4.40). Atentar à Lei do Senhor nos traz segurança. O Senhor Jesus compara aqueles que ouvem e praticam a Palavra a uma casa firme, edificada sobre a rocha, que resiste às intempéries da vida (Mt 7.24).

Algumas pessoas querem agradar a Deus, mas deixam de lado a sua Palavra. Querem adorar o Senhor sem dar ouvidos à sua Lei. Aprendemos na Bíblia que Deus não se agrada de pessoas assim.

O episódio em que Saul poupa “o melhor” das ovelhas e bois de Amaleque para sacrificar ao Senhor, a despeito de ter recebido a ordem de destruir tudo, ilustra muito bem essa questão. Diz o texto que Samuel foi enviado a Saul e o repreendeu dizendo: “Tem, porventura, o SENHOR, tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura dos carneiros” (1 Sm 15.22) – e continuou com uma palavra bastante dura – “Porque a rebelião é como pecado de idolatria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1 Sm 15.23).

A Bíblia não é simplesmente um livro de conselhos e recomendações que Deus nos deu para seguirmos ou não, antes o salmista afirma: “Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca” (Sl 119.4).

Quanto a essa questão, a Confissão de Fé de Westminster ensina que “a lei moral obriga para sempre a todos a prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas como as outras, e isso não somente quanto à matéria nela contida, mas também pelo respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo, no Evangelho, não anula de modo algum esta obrigação, antes a confirma” (CFW XIX.V).

A Palavra de Deus é a sã doutrina. Se de fato queremos honrar o Senhor e adorá-lo em espírito e em verdade, é imprescindível o conhecimento e a guarda dos mandamentos. Não existe honra ao Senhor na desobediência.

Cabe a nós, portanto, a mesma exortação que Paulo fez a Timóteo: “Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” – 1Tm 4.15-16.

Pr. Milton Jr.

Milton C. J. Junior
Milton C. J. Junior
Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano "Rev. José Manoel da Conceição" e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em aconselhamento bíblico pelo Seminário Palavra da Vida. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil desde 2002, servindo à Igreja Presbiteriana da Praia do Canto desde 2007.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco × dois =