Igreja: Para a glória de Deus ou para entretenimento do homem?

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Lendo um livro do Pastor John MacArthur Jr., uma frase me chamou a atenção: “No ‘show business’ a verdade é irrelevante; o que realmente importa é se estamos ou não sendo entretidos” (Com vergonha do Evangelho).

Infelizmente tem sido assim também com a igreja evangélica. Olhando para a realidade da igreja de nossos dias, podemos parafrasear MacArthur e dizer que “em muitas igrejas a verdade é irrelevante; o que realmente importa é se o povo está ou não sendo entretido”.

A igreja absorveu a cultura do entretenimento e, por causa disso, acaba por negociar princípios. O que importa é que as pessoas sintam-se bem. Se alguma coisa incomoda, é retirada, ainda que seja essencial ao culto. Em contrapartida, são incluídas práticas que nem de longe fazem parte da adoração cristã, simplesmente para agradar àqueles que vão à igreja. O homem tomou o lugar de Cristo no centro do culto.

Não se tem parado para pensar se o que está sendo incorporado à igreja é sagrado ou secular. O que importa é ter a igreja abarrotada de pessoas, ainda que não se interessem por adoração e pregação, pois, afinal de contas, ir à igreja “é bom”, “é divertido” e “distrai”.

A consequência de tudo isso é que hoje vemos nos púlpitos “animadores de auditório” preocupados com o bem-estar daqueles que “os assistem”. Pecado é palavra proibida em muitas igrejas, pois “fere” aqueles que estão no auditório.

Há um pastor famoso e “engraçado” que vive a fazer piadas com as histórias bíblicas e levando o público às gargalhadas. Muitos, incluindo não crentes, exaltam a forma irreverente como o tal pastor (?) “prega”, mas, curiosamente, se vivessem algum drama na vida, alguma experiência que trouxesse dor, tristeza e lamento, ainda que por conta de pecados cometidos, duvido muito que estes mesmos que riem das preleções do pastor palhaço  gostassem que suas histórias fossem contadas de forma engraçada e jocosa, com o intuito de provocar riso, ainda que com o pretexto de ajudar outros a enfrentar dificuldades. Se é assim, deveriam, então, lembrar-se disso quando param para ouvir palhaços que debocham de nossos irmãos do passado, transformando narrativas sérias e graves, que foram registradas para o nosso ensino (Rm 15.4), em piadas de stand up.

Já no século XIX o pastor Charles Spurgeon exortava de que nas cartas bíblicas não há “qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: ‘Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!’ Qualquer coisa que tinha aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos” (Alimentando as ovelhas ou divertindo os bodes? – Monergismo).

Devemos resgatar a pureza da pregação bíblica. A mensagem bíblica, longe de ser uma mensagem para entreter, é a mensagem de Cristo, que diz que aquele que quer segui-lo deve negar-se e tomar a sua cruz. Igreja não é lugar de diversão, mas um local onde se adora o Senhor em Espírito e em verdade, reconhecendo nossa pequenez diante de Deus e sua misericórdia sobre nossas vidas.

Procuremos, portanto, agradar ao CRIADOR ao invés da criatura, pois para isso fomos criados.

Soli Deo Gloria.

Pr. Milton Junior

Milton C. J. Junior
Milton C. J. Junior
Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano "Rev. José Manoel da Conceição" e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em aconselhamento bíblico pelo Seminário Palavra da Vida. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil desde 2002, servindo à Igreja Presbiteriana da Praia do Canto desde 2007.

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